O  senador Izalci Lucas (PSDB/DF) chamou atenção para um assunto preocupante, durante discurso nesta sexta-feira (22/03): o alto consumo de tabaco no país.

Ele falou sobre a necessidade de ações para desencorajar o uso de cigarros e afins, como maior rigor para as restrições para produtos derivados do tabaco, aumento de impostos para o produto e campanhas publicitárias antitabagistas. Segundo destacou, apesar da redução do tabagismo em países desenvolvidos e também no Brasil, o cigarro ainda é o grande mal do mundo moderno e representa o maior fator de risco para o desenvolvimento de tumores malignos — um terço de todos os casos — doenças pulmonares, doenças cardiovasculares, doenças cerebrais, entre outras.
“O tabagismo, dentre todos os fatores ambientais do século, certamente representa o mais vil e ameaçador de todos. Calcula-se que 100 milhões de mortes foram causadas pelo tabaco no século XX. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde é o único produto legal que causa a morte da metade de seus usuários regulares. Isso significa que, de 1,3 bilhão de fumantes no mundo, 650 milhões vão morrer prematuramente por causa do cigarro” lamentou.
O senador citou um  projeto do senador José Serra (PSDB-SP), que aumenta as restrições à propaganda de cigarros e de outros produtos de tabaco e modifica também o Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503, de 1997) para enquadrar o ato de fumar em veículos com passageiros menores de 18 anos como infração de trânsito.  Aprovado recentemente na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), o Projeto de Lei do Senado 769/2015, será avaliado pela Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA).
Sobre um dos pontos da proposição , Izalci  ressaltou o perigo que representam os produtos de tabaco que possuem aditivos que dão  sabor e cheiro e se tornam atrativos para os jovens, como é o caso do Narguilé oferecido em bares, tabacarias e casas noturnas.
“O Narguilé é cem vezes mais potente que o cigarro e viralizou entre os jovens brasileiros, acendendo um alerta ao Governo. Os riscos para a saúde do usuário são muitos. O alto teor do tabaco consumido, a possibilidade de transmissão de doença infectocontagiosa através do compartilhamento da piteira do narguilé e também o fumo passivo, caso de pessoas presentes em tabacarias que respiram a fumaça, mesmo sem dar sequer um trago”, informou.
Para o senador, é preciso proteger crianças e adolescentes de estratégias que promovem a iniciação ao consumo de produtos de tabaco, porque muitos dos jovens já se iniciam no tabagismo muito cedo.
“Eu comecei a fumar com 14 anos e fumei por mais de 30 anos. Há 20 anos parei, mas os efeitos permanecem. Perdi, inclusive, o meu pai com enfisema. Agora, estive em São Paulo fazendo um exame e, graças a Deus, deu tudo negativo com relação ao meu caso “, relatou.
Ao falar sobre as mudanças mais relevantes com relação ao projeto do senador Serra, Izalci salientou a inclusão de empresas importadoras de produtos fumígenos na proibição do patrocínio institucional em vez de limitar, como era, apenas aos fabricantes exportadores. Nesse sentido, o senador citou a realização de campanhas contra o tabaco nos Estados Unidos resultantes de uma decisão judicial que obriga companhias que fabricam e distribuem tabaco a alertarem sobre o perigo de seus produtos.
“Fumar mata, alertam as campanhas de tabaco. A ordem judicial determinou que as empresas publicassem a mensagem, em página inteira, nos 50 jornais mais importantes do país, por 5 domingos durante o ano. Além disso, terão que emitir 260 anúncios de TV, ao longo de 12 meses, nas principais redes nacionais de televisão”, informou.
Ao concluir, o senador Izalci  alertou para os altos custos do uso do tabaco para saúde pública e falou sobre sua preocupação com os agricultores que vivem do cultivo do tabaco no sul do Brasil.
“ Nós temos vários produtores que precisam sobreviver. A gente precisa buscar mecanismos, formas para que esses produtores tenham a sua renda e que possam buscar talvez outras alternativas na agricultura. Mas não podemos continuar admitindo, sabendo que o tabaco mata, que causa câncer. Isso dá um prejuízo imenso para a saúde”, disse o senador.
Em aparte, Paulo Paim (PT/RS) afirmou que o assunto precisa ser discutido e cumprimentou Izalci  por sua preocupação com os  agricultores do Rio Grande do Sul, que vivem do plantio do tabaco, ao dizer que é preciso achar caminhos para que eles tenham direito de continuar produzindo alimentos, alternativas e que possam encaminhar nessa linha do seu pronunciamento.