“De todos os deveres que incumbem ao Estado, aquele com que não é possível transigir sem a perda irreparável de algumas gerações, é o da educação”, refletiu o senador Izalci Lucas (PSDB/DF) em discurso na última sexta-feira (5).

 

A citação lembrada por Izalci, e escrita em 1932 no Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, liderado por Fernando de Azevedo, Anísio Teixeira e Roquete Pinto, já anunciava o lugar de destaque que a educação deve ocupar na construção de uma nação.

 

Ao narrar a história, o senador destacou que, ainda hoje, o Brasil luta por uma educação nova e inclusiva tal qual os pioneiros a preconizaram.

 

“Depois do manifesto, feito logo após a Primeira Guerra Mundial, veio a ditadura de Vargas, e, somente em 1959, um novo manifesto trazia as bases desse anterior”, relembrou.

 

Além do papel da educação no crescimento de um País, o senador também mencionou a constante preocupação com o desenvolvimento e todas as dificuldades que o Brasil enfrenta para seguir em frente.

 

“Tão rico pelas suas riquezas naturais e pelo seu povo trabalhador e tão pobre pela falta de oportunidades para a maioria, sobretudo para os jovens, que hoje representam um contingente imenso de desempregados sem perspectivas, sem alento”, lamentou.

 

Segundo Izalci isso se deve ao fato de que a educação vive numa gangorra; ora avança, ora retrocede. O senador também avaliou que o Brasil universalizou o acesso ao direito à educação, mas não ofereceu um ensino de qualidade.

 

“Os estudantes saem da escola, sem saber as matérias básicas. Não sabem escrever, ler, nem fazer contas. Isso impacta no futuro, porque não terão raciocínio lógico. Não aprenderam a analisar e raciocinar. É muito triste”, avaliou.

 

O senador lembrou ainda as palavras de Azevedo ao afirmar que a educação dá ao povo a consciência de si mesmo e de seus destinos e cria a identidade da consciência nacional e, por essa característica, é tão relevante para um País. Igual importância têm os educadores em sua missão, segundo avaliou o senador.

 

“É nos educadores que o Estado tem de procurar apoio para levar aos estudantes e aos pais, a todas as esferas da vida social, o espírito de ordem e disciplina, cujos efeitos não se farão sentir totalmente senão em gerações futuras”, já antecipava o Manifesto de 32.

 

Sobre o papel da educação na formação da sociedade, o senador ressaltou que esse é maior projeto do Brasil e que sem ela não há desenvolvimento econômico e nem inovação.

 

“Construímos escolas, matriculamos as crianças, mas não oferecemos uma educação de qualidade. Por isso, estamos à beira de perder mais uma geração se não agirmos já. Há solução, e essa solução nem é tão difícil se tivermos planejamento”, lamentou.

 

Projetos de qualidade e iniciativas inovadoras foram elencados por Izalci como caminhos para melhorar o cenário atual da educação. O senador citou algumas proposições que apresentou nesse sentido, como a proposta de criação de Centros de Desenvolvimento Regional (CDR) que pretende trazer o conhecimento das universidades e institutos de pesquisa para perto da comunidade com a realização de projetos que podem gerar mais emprego e renda nas cidades e comunidades.

 

Também mencionou o projeto que trata da contrapartida obrigatória daqueles que estudam em universidades públicas ou têm bolsas do Prouni. A ideia é que esses estudantes, em seu contra turno de aula, prestem serviços à comunidade, junto à órgãos públicos, como por exemplo ajudar alunos de escolas públicas.

 

Contador, auditor e professor, Izalci salientou que entrou para a política pela educação, sua maior bandeira de trabalho desde seu primeiro mandato parlamentar.

 

“Foi pela educação que entrei na vida pública. Foi para ampliar o acesso à educação que lutei e luto. Peço a todos que pensem na educação como o projeto primeiro deste País. Não há economia, não há nada sem educação”, concluiu o senador.

Assista ao discurso na íntegra: