Foi realizada no Senado, nesta sexta-feira (12/07), sessão solene para comemorar o Dia Nacional do Quadrilheiro Junino. A homenagem foi presidida pelo  senador Izalci Lucas (PSDB-DF). 

Para compor a mesa, foram convidados o presidente nacional da Confederação Brasileira de Entidades Juninas, Hamilton Teixeira dos Santos, o presidente da Liga Independente de Quadrilhas do DF e entorno, Bruno Anderson, o  gerente de cultura da administração regional de Brazlandia, Duarte Totó, e o presidente da Associação dos Forrozeiros do DF, Marques Célio Rodrigues de Almeida. 

A contadora de histórias, Nyedja Gennari, contou, em forma de cordel, o que classificou como história de uma tradição, que devemos preservar.  “A quadrilha é um misto de teatro, música e dança, e agrada do mais velho, à mais nova criança. Uns dizem que foi na França, outros na Inglaterra, onde a quadrilha surgiu, mas aqui na nossa terra, foi bem assimilada pelo homem pé de serra, foi uma festividade que no Brasil se espalhou”, contou.

Já Izalci, ao iniciar seu discurso, citou  Ariano Suassuna:  “Esse grande escritor nordestino disse, com muita propriedade, que “toda arte é local antes de ser regional, mas, se prestar, será contemporânea e universal”, lembrou.

O senador explicou que os grupos são compostos por milhares de brasileiros que fazem da quadrilha junina o ponto alto dessa festa que movimenta todas as cidades e embala todo o Brasil, por pelo menos 30 dias. “Além da alegria, da dança, música e das comidas típicas presentes nestas comemorações, os três santos católicos (Santo Antônio, São João e São Pedro) são homenageados no mês de junho. Os grupos viajam se apresentando e concorrendo em festivais espalhados por todo o Brasil”, disse. 

Aqui na capital federal, grupos do DF colecionam títulos e já representaram o Brasil na Europa, se apresentando em vários países. “Hoje, os estados têm suas próprias entidades e, nacionalmente, são representados na confederação que as congrega. Nossa festa junina deixou de ser local e regional, ela já é universal. Ela é arte pura!, declarou”.

O senador fez ainda uma  homenagem especial a quatro representantes das quadrilhas:  Luciano Cosmo, da  quadrilha Triscou Queimou. Diones da Silva Mendanha, da quadrilha Pinga Em Mim, Tio Pedro, da quadrilha Os Banguelas e Patrese Ricardo Mendes, coordenador da Formiga da Roça. 

Ao falar na tribuna, Luciano disse da honra em receber a homenagem. “Todos ensaiam de janeiro a janeiro. A gente faz com muito amor, que é mais do que dinheiro. Viajamos pelo Brasil inteiro, às vezes com dinheiro do bolso, e tentamos fazer o melhor para representar nosso estado. Me sinto honrado, senador, pois é difícil fazer quadrilha junina sem recurso”, declarou.

Diones também agradeceu ao senador Izalci, e disse e de sua honra em fazer parte do movimento. “Foi em quadrilha junina que fiz grandes amigos e grandes amores. Fico muito feliz em ver esse plenário tão colorido e poder confirmar, com muito orgulho, que o movimento junino tem um porta voz nessa casa”, constatou. “Quero agradecer de coração ao senhor Izalci Lucas”, ressaltou. “Apesar das dificuldades, quadrilheiro de verdade não se deixa abater. Com muita força de vontade transformamos todas as dificuldades em uma grande festa de emoção. Juntos podemos mais” completou. 

Tio Pedro falou do papel do senador junto ao segmento e lembrou que a quadrilha junina resgata jovens e moradores de rua. “Queremos agradecer de coração ao senador,  por vestir a nossa camisa e entender que o trabalho é muito mais que dançar quadrilha, mas também tirar as pessoas das ruas. Resgatamos o jovem e o cidadão da situação de risco e os colocamos no bom caminho”, lembrou. 

Já Patrese Ricardo Mendes lembrou que o senador Izalci  sempre foi engajado e prestou o serviço da melhor forma possível para o movimento junino. “Muito obrigado e parabéns pela sessão, o senhor quebrou paradigmas”, agradeceu. 

Representando o governo do DF, Duarte Totó falou que Brazlandia está de portas abertas para receber os quadrilheiros. “Brazlandia e Planaltina se parecem muito na questão de cultura, mas Planaltina está bem à frente. No passado tínhamos vários grupos de quadrilha, mas infelizmente hoje não contamos mais com esses grupos tradicionais. Tínhamos o Caipirinca. Está  dentro do nosso projeto cultural fazer um resgate dessa cultura tão importante para a nossa cidade. Contamos com o apoio do senador Izalci Lucas”, afirmou.

Josivaldo da Silva, da União Junina, lembrou que o movimento junino não tem recursos. “Temos despesas para manter os espetáculos, e espero que nossos governantes escutem as entidades, olhem por nós. Ainda bem que temos um defensor da nossa cultura, que é o senador Izalci. Que a gente não desista e sempre acredite que possa fazer um movimento melhor”, disse.  

Lucas Martins, da Liga Independente de Quadrilha do DF, também agradeceu pelo senador ter aberto as portas do Senado. “O movimento junino tem se organizado e tem brigado para ocupar o lugar que merece! Agradeço ao Izalci por essa oportunidade”, disse. 

Após agradecer a homenagem, Hamilton fez um desafio ao senador. Segundo ele, quando chega os meses de junho e julho o recurso para os quadrilheiros acaba. “Peço ajuda ao senador Izalci, um dos únicos e legítimos representantes do movimento junino, que está na UTI, para a criação de uma lei para destinar ao estado que for fazer competição, 20% para o fomento das quadrilhas juninas”, solicitou.

No fim da sessão, o senador Izalci se emocionou, lembrando a dificuldade que o movimento da quadrilha junina enfrenta. “Muitos jovens aqui fazem o ensaio nas ruas por falta de espaços nas escolas, e as poucas escolas que deram espaço a eles, não permitiam que dessem água, que usassem banheiro, e nós sabemos que muitos municípios têm ônibus e poderiam ajudar no transporte das apresentações. Espero então que essa sessão possa chamar atenção das autoridades”, finalizou emocionado.

A Banda Trio do Forró esteve presente, executando o Hino Nacional, a música Asa Branca, de Luiz Gonzaga, e o Hino dos Quadrilheiros.

 

 

Fotos: William Sant’Ana