Um tributo aos violeiros e aos representantes da música caipira de todo o Brasil. Em sessão especial no Senado, nesta segunda-feira (15), o senador Izalci Lucas (PSDB/DF) celebrou o Dia Nacional da Música e da Viola Caipira que é comemorado no dia 13 de julho. Participaram da sessão a dupla Zé Mulato e Cassiano, irmãos, mineiros e ícones da música caipira, parlamentares, representantes de instituições de ensino de viola e violeiros do Distrito Federal. Os presentes ouviram as apresentações da Orquestra de Violeiros de Cristalina, de Claudinho da Viola e dos músicos e alunos do Núcleo de Ensinamentos da Viola do Caub I.  A contadora de Histórias, Nyedja Gennari, recitou a trajetória da música e da viola caipira.

Ao discursar, o senador Izalci destacou a representatividade de Inezita Barroso, expoente da música caipira,  e relatou que seu pai era seresteiro em sua cidade natal, Araújos, em Minas Gerais. O senador lembrou a infância singela e as serestas que eram costumeiras naquela época.

“Meu pai não era violeiro, era seresteiro. Mas as músicas que ele tocava nas ruas e embaixo das janelas faziam parte do sentimento e da emoção daquela pequena cidade do interior. Nos divertíamos quando participávamos das serestas e dos carnavais. Como toda cidade do interior, a música era nosso grande momento de congratulação”, contou.

Izalci recordou que quando chegou em Brasília, ainda adolescente, as reuniões nos bairros da capital tinham como alento um violeiro e a música da terra natal.

“Ali nos encontrávamos com nossas raízes. Ali nos congratulávamos e nos divertíamos. A música era a nossa felicidade no meio do cerrado e da terra vermelha”, relatou.

O senador também defendeu mais recursos para a música de raiz e ressaltou que faltam investimentos e, sobretudo, reconhecimento para esse tipo de cultura.

“Esta sessão solene traz esse reconhecimento, mas nos faltam os investimentos que nem sempre vão para divulgação de nossos artistas que trabalham em prol da cultura de raiz de nosso país. A maioria dos recursos é direcionada àqueles que não precisam ou já têm o patrocínio do setor privado”, lamentou.

Nesse sentido, Izalci reafirmou seu apoio à preservação da música caipira e propôs a elaboração de um projeto de incentivo à cultura de raiz, que seria entregue ao ministro da Educação, sendo executado em escolas e instituições que trabalhem localmente os talentos.

O prefeito de Cristalina, Daniel Sabino Vaz, ressaltou a importância da música caipira como forma de cultura, muitas vezes esquecida, sem investimentos, sem apoio.

“Com esse evento que o senhor faz aqui hoje, senador Izalci, tenho certeza de que está levando às autoridades o conhecimento, o debate, a informação de que a nossa música, a nossa cultura é importante. Como prefeito, administrador do município, tenho tentado apoiar, tenho tentado incentivar a cultura, a viola no nosso município”.

A violeira e professora de viola caipira, Elisabete Silva, citou o pioneirismo de Inezita Barroso, que abriu caminho para todas as violeiras.

“Eu quero parabenizar as minhas alunas do núcleo de Planaltina, que estão aqui com a viola, para prestar homenagem aos 90 anos da Música Caipira”, disse.

O jornalista Arley da Cruz  afirmou que São Paulo e Minas Gerais carregam um traço inigualável de ter a música tocada com a viola caipira, que também está presente no Estado de Goiás. Ele também lembrou de Inezita Barroso dizendo que ela levou muita beleza e alegria ao corações do Brasil.

“Nesses Estados, a vida no campo se fazia com a viola, com a música aos fins dos dias para que pudéssemos, então, ter aquele momento de alegria”.

Luiz Faria, representante da Associação Nacional dos Violeiros do Brasil, enfatizou que, com o Dia Nacional da Música e da Viola Caipira, reemprega-se o adjetivo original “caipira” deixando por empréstimo aos que não têm nenhum compromisso cultural o sinônimo “sertanejo”, bem ao gosto da exploração comercial da atualidade.

“O Dia Nacional da Música e da Viola Caipira é também reconhecimento e homenagem aos grandes intérpretes, infelizmente, quase todos saudosos, mas imortalizados em suas obras que formam uma das maiores discografias mundiais”.

José das Dores Fernandes, o Zé Mulato alertou para o fato de que, há alguns anos, houve perigo de extinção da música que conta a história do Brasil. Ele explicou que continua cantando música caipira, principalmente moda de viola, porque essa é uma música que conta a nossa história com mais veracidade do que os livros.

“A gente pegou essa empreitada – eu e meu irmão Cassiano – porque viu um perigo de extinção de nossa música caipira. Antigamente, contar história da música caipira era quase que uma tradição de boca em boca, que levava anos para ser conhecida. Então, nós estamos felizes com essa força grande que surgiu hoje e essa oportunidade de que o Brasil todo esteja sabendo da gente, sabendo que a nossa questão é muito mais brasileira do qualquer segmento musical”.

João Monteiro da Costa, o Cassiano, afirmou que o sonho do violeiro é um Brasil que dê mais valor à cultura, não só à música caipira, à cultura em geral.

“Hoje, a música caipira é a parte que nos toca mais, mas eu sempre digo que a cultura é a coisa mais importante que um país ou uma pessoa tem. Um sujeito que não tem cultura, que não conhece a história do seu país, é cidadão de lugar nenhum”.

O senador Wellington Fagundes Senador (PR/MT) parabenizou o Senador Izalci Lucas, pela realização da sessão especial para comemorar o Dia Nacional da Música e da Viola Caipira e ressaltou a importância de se conservar a memória e a cultura brasileiras.

“Nós precisamos, sem dúvida nenhuma, reverenciar a todos aqueles que fazem com que este Brasil não seja um país de crises maiores, principalmente um país integrado, com a mesma língua. E, com certeza, a música caipira promove, acima de tudo, a felicidade”, afirmou o senador.

Volmi Batista da Silva, fundador do Clube do Violeiro Caipira, destacou que os representantes da cultura popular brasileira e, principalmente, da música caipira, não podem ser colocados em competição com os produtos comerciais hoje massificados pela grande mídia. Ele também pediu às autoridades medidas para salvaguardar o patrimônio cultural e imaterial da música caipira.

O ex-deputado Federal e radialista, Wigberto Tartuce, que é apoiador da música caipira, relatou que na década de 1990 teve a coragem e a ousadia de colocar a musica caipira na grade principal da sua rádio, mesmo com todo o preconceito que esse tipo de cultura sofria.

“Fiquei emocionado de ver que Izalci está resgatando uma música da maior importância para o país, que representa o conceito histórico. Quero parabenizar a sua iniciativa que está permitindo a todos rever os valores mais profundos da nossa cultura”.

A sessão foi encerrada com a participação de todos os violeiros presentes que tocaram a música Pagode em Brasília, homenageando a cidade e o Senado Federal.

Confira algumas fotos da solenidade ou acesse o álbum do evento no Flickr: https://flic.kr/s/aHsmF9bBYA