“O futuro do mercado de trabalho dos jovens passa pela ciência, tecnologia e inovação”, definiu o senador Izalci Lucas (PSDB-DF) durante a 4ª reunião da Frente Parlamentar Mista de Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação realizada, nesta quinta-feira, dia 17 de outubro, no Senado Federal. Representantes de órgãos governamentais, empresas do setor e parlamentares participaram do debate sobre o tema “A Indústria 4.0 – O futuro do trabalho para os jovens”.

A abertura da reunião contou com a participação do físico do CERN (Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear), Salvatore Mele, considerado um dos ícones da pesquisa nuclear. A instituição possui o maior laboratório de física de partículas do mundo, localizado em Meyrin, na região de Genebra, na Suíça. O cientista destacou a importância do CERN para a comunicação. A organização é considerada a inventora da World Wide Web, ou simplesmente Web. Salvatore enalteceu o interesse dos pesquisadores brasileiros em participar dos trabalhos do CERN.

“A descoberta do bóson de Higgs em 2012 é uma das principais realizações do CERN. Uma centena de pesquisadores brasileiros, associados a oito instituições do país contribuíram para tornar esse feito possível, com o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, CNPQ, CAPES, assim como da FAPESP e FAPERJ. Mais importante ainda é o fato de jovens estudantes brasileiros terem participado dessa descoberta”, disse Salvatore Mele ao citar a colaboração de cientistas nas pesquisas da instituição.

Salvatore Mele, do CERN.

Em 2013, o CERN aprovou a solicitação do Brasil para ser um dos países membros da organização. Salvatore, além de abrilhantar a reunião, esteve no Congresso para sensibilizar os parlamentares a votarem a entrada do Brasil como país-membro da instituição.

O secretário de Educação Superior do Ministério da Educação, Arnaldo Barbosa falou sobre o Future-se, programa tem o propósito de fortalecer financeiramente as universidades e os institutos federais do país. “O Future-se é um projeto de Estado. Queremos tornar nossos jovens competitivos, mas para isso as nossas instituições devem melhorar os seus índices de governança”, observou.

Já a secretária nacional da Juventude, do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Jayana da Silva, apontou que um dos maiores desafios do futuro será estimular os mais de 10 milhões de jovens da chamada geração “Nem-Nem”.  Em sua explanação, Jayana enfatizou que “o jovem deve se qualificar de acordo com as mudanças que o setor produtivo faz”.

O governo federal tem um programa chamado Espaço 4.0 que consiste em ser um local onde os jovens usam ferramentas, impressora 3D e computadores para produzirem protótipos e soluções para problemas listados pela indústria e pela comunidade, além de desenvolver habilidades para o mercado de trabalho.

Em seguida, foi a vez do jovem Guilherme Galvão, empreendedor e diretor-executivo do The Brain, que é um coworking que oferece um espaço com estrutura para que novas empresas possam atuar. Guilherme ressaltou que, na sua visão, o jovem deve se sentir desafiado e sair da sua zona de conforto. Para ele, o jovem tem a missão de “sacudir o modelo de RH tradicional”.

A representante do Ministério da Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovações (MCTIC), Adriana Depieri, revelou que o órgão já vem atuando desde 2015 buscando preparar políticas públicas para a Indústria 4.0. Depieri disse que a Câmara da Indústria 4.0, que tem o MCTIC como um dos coordenadores do grupo, considera que o tema deve ter o seu conceito ampliado para uma visão de economia.

Adriana citou que entre os principais entraves para o futuro do mercado de trabalho está a falta de qualificação de profissionais. Para isso, o governo vem estabelecendo parcerias com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, o Senai. O gerente executivo de Educação Profissional e Superior da instituição, Felipe Morgado, explicou que o programa Senai 4.0 tem como objetivo apoiar as indústrias brasileiras a desenvolver soluções em tecnologia e em educação profissional.

O senador Izalci Lucas, que preside a Frente Parlamentar, voltou a afirmar que é necessário investir em educação, ciência, tecnologia e inovação para que o país volte a crescer. “Vou continuar batendo na tecla que não vamos conseguir voltar a crescer se não investirmos nesses setores”, enfatizou o parlamentar.

Senador Izalci Lucas e alunos do CEMI do Gama.

A reunião contou com a presença dos alunos do Centro de Ensino Médio Integrado do Gama que foram premiados por desenvolver dois projetos de iniciação científica: o resfriador rápido de bebidas (Cold Storm) e o uso do celular nas aulas de físicas. Dirigentes e representantes de outras instituições como CNI, CNPq, Capes, entre outras, acompanharam a reunião da Frente.

Assista ao vídeo com trechos da reunião desta quinta-feira (17):