Segundo Walter Feldman, a CBF tem dado todo o apoio às famílias das vítimas

 

Presidida pelo senador Jorginho Melo (PL/SC), com relatoria do senador Izalci Lucas (PSDB/DF), a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Chapecoense ouviu nesta terça-feira (18),Rodrigo Ernesto de Andrade, sócio da Off Side Logística, empresa apontada como suposta intermediária na aproximação da empresa aérea boliviana LaMia com as entidades do futebol brasileiro e sul-americano e o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, que representou o presidente da entidade, Rogério Caboclo.

 

Rodrigo Ernesto negou que a empresa tenha participado da logística aérea da Chape ou de qualquer time brasileiro. Segundo ele, a empresa trabalha apenas com a logística terrestre ou receptiva.

“A nossa empresa planeja a execução de todo o passo a passo do clube, a partir do momento em que ele chega à cidade até a hora em que ele vai sair, dentro ou fora do Brasil”, esclareceu.

Rodrigo de Andrade, sócio da Off Side Logística

No entanto, o empresário disse que participou das tratativas com a LaMia, a pedido do supervisor de futebol da Chapecoense, que morreu na queda do avião, Emerson Di Domenico, o Chinho, principalmente pelo fato de ser fluente no espanhol.

“Volto a repetir, a gente nunca participou de nada de aéreo do clube. Me coloquei à disposição, como agente receptivo do clube e que, a partir daquele momento, iria ajudar nas tratativas, principalmente pelo espanhol”, explicou.

 

Para Walter Feldman, a CBF fez tudo o que poderia ter feito na ocasião.

Secretário-geral da CBF, Walter Feldman

“Criamos um gabinete de crise para cuidar da situação. Fornecemos todo o apoio possível tendo em vista que o ocorrido se deu fora do país. Prestamos apoio médico aos sobreviventes, financeiro, uma vez que oferecemos uma doação de R$ 5 milhões à Chapecoense, e conseguimos o deslocamento dos corpos pelos aviões da FAB, sempre no intuito de melhorar a angústia e o sofrimento impensável das pessoas envolvidas na tragédia”, afirmou.

 

Já o advogado das famílias, Marcelo Camilo, revelou que o dinheiro doado à Chapecoense nunca chegou às famílias das vítimas da tragédia.

“Foi dito que esse dinheiro seria doado às famílias, mas a CBF não disse como era para ser feito isso. A Chapecoense recebeu esse dinheiro e simplesmente partilhou da forma como achou que deveria, até mesmo porque a Chapecoense também é vítima”, disse Camilo.

Ao avaliar a reunião, Izalci disse que a investigação está caminhando bem.

Senador Izalci Lucas

“A CBF deixou claro que fez o que foi possível, e pretende continuar contribuindo com a associação das vítimas. Além disso, se prontificou a participar das próximas reuniões”, ressaltou.

Segundo ele, o próximo encontro está marcado para o dia 3 de março, para ouvir os representantes da Agência Nacional de Aviação – Anac, da Superintendência de Seguros Privados – Susep, da Subsecretaria de Previdência Complementar do Ministério da Economia, da AON Corretora de Seguros Ltda. e da Tokio Marine Seguradora S.A. Também estiveram na reunião os integrantes da CBF, Marcelo Aro –  Diretor de Relações Institucionais e Reynaldo Buzzoni, Diretor de Registro.

Reynaldo Buzzoni

Marcelo Aro

Fotos: William Sant’Ana